Instituto Midia Étnica

Comunicação e Ação Afirmativa

Portal Correio Nagô do Instituto Mídia Étnica recebe prêmio nacional de inclusão social de afrodescendentes

Redação Correio Nagô* – Na teledramaturgia, a novela global “Lado a Lado”. Na imprensa, o blog “Mundo Afro”, do jornal A Tarde. Nas mídias digitais, o Instituto Mídia Étnica (IME) com o portal de notícias “Correio Nagô” e, em comum, a tentativa exitosa de inclusão social de afrodescendentes.

Diferentes iniciativas de instituições, empresas e veículos de comunicação, entre outros, foram reconhecidas na noite desta quarta-feira (24), durante entrega do prêmio nacional Camélia da Liberdade 2013, realizada pelo Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP), no Vivo Rio, no Rio de Janeiro. No total, 15 iniciativas foram premiadas.

“Esse é o primeiro reconhecimento nacional de nossa trajetória de oito anos promovendo diversidade na mídia. Agradecemos ao Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP) e todos que acreditam em nosso trabalho”, destacou o publicitário Paulo Rogério Nunes, diretor executivo do IME.

Para a também integrante do IME, a publicitária Luciane Neves, o prêmio é ainda um reconhecimento de que o Portal Correio Nagô está se consolidando como um dos mais importantes sites de notícias, voltados para a comunidade afrodescendente.

“Foi importante porque o prêmio nacional valorizou ainda mais o portal que desenvolvemos desde 2008. Essa premiação vai dar uma visibilidade ainda maior às iniciativas do Instituto Mídia Étnica”, ressaltou.

Representando o IME, os dois integrantes foram ao Rio de Janeiro para receber a premiação. “Concorremos com outros grupos nacionais e vencemos. Isso comprova o êxito do portal”, complementou Neves.

 

Tema - Em sua sétima edição, o prêmio, que tem patrocínio da Petrobras, celebrou o tema “Pequena África”. “Passaram pelo tapete vermelho aqueles que se destacaram em Ações Afirmativas”, divulgou a produção do evento.

O Camélia levou ao palco as apresentações privilegiadas de Jorge Aragão, Juliana Diniz, Altay Veloso, Nei Lopes, ogan Tião Casemiro, ogan Bamgbala e da Cia de Dança Rubens Barbot.

“O conselho do Prêmio Camélia realizou uma extensa e detalhada pesquisa sobre o trabalho de cada profissional e entidades indicados à premiação, tendo como referência o tema escolhido”, ressaltou a organização do prêmio.

São conselheiros do Prêmio Camélia o babalawo Ivanir dos Santos, a doutora em Comunicação Azoilda Loretto da Trindade, a mestre em Comunicação e Cultura pela UFRJ Angélica Basthi, o diretor executivo da Incubadora Afro-Brasileira, Giovanni Harvey, a ex-ouvidora da Fundação Petrobras de Seguridade Social, Vanda Maria de Souza Ferreira, e o procurador federal do Trabalho Wilson Prudente.

Emoção - A primeira categoria a ser anunciada pelos mestres de cerimônia, Valquíria Ribeiro e Luís Miranda, e pelo gerente de Responsabilidade Social da Petrobras, Paulo Neto, além do secretário executivo do CEAP, Luiz Carlos Semog, foi Instituição de Ensino, representada pelas Universidades Federais do Mato Grosso, Pará e Santa Catarina. O troféu, entregue pela doutora Azoilda Loretto da Trindade, emocionou os educadores.

“É uma honra receber este prêmio! Demonstra que estamos no caminho certo na luta pelas políticas de Ações Afirmativas. Desde 2003, nos dedicamos à implantação do sistema de cota na nossa universidade e formamos a primeira turma no ano passado. É uma grande vitória”, disse a representante do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Relações Raciais e Educação da Universidade de Mato Grosso, Maria Lúcia Müller.

Na categoria Empresa, venceu a Cia. Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), representada pelo diretor administrativo, José Pedro Alcântara Jr., que discursou sobre o valor da diversidade na construção de uma sociedade justa e a respeito da função de uma empresa, “que não atua apenas para gerar lucros, mas ações sociais para o desenvolvimento do País”.

O Secretário de Assistência Social do Rio de Janeiro, Zaqueu Teixeira, representou o governador Sérgio Cabral e recebeu o prêmio das mãos do interlocutor e conselheiro estratégico do CEAP, babalawo Ivanir dos Santos, no quesito Poder Público. Zaqueu afirmou que votar a favor da lei de obrigatoriedade de cotas para afrodescendentes e índios nas universidades públicas foi uma honra para o governo e um passo fundamental para retribuir o trabalho da Comunidade Negra no desenvolvimento do Brasil. “Vamos continuar nessa vanguarda. É um compromisso do nosso governo”, garantiu o secretário.

Na mesma categoria, foram premiados o Programa Antonieta de Barros, da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, e o Supremo Tribunal Federal (STF). O programa Nova África, da TV Brasil, também ganhou na categoria Veículo de Comunicação, e teve como representante a diretora de Jornalismo, Nereide Beirão.

“Dentre as democracias multirraciais o Brasil é o país que possui menos diversidade na mídia. É importante que o poder público e o empresariado brasileiro financie a mídia negra porque a maioria dos investimentos são feitos para a chamada grande mídia. Não podemos deixar que a mídia negra acabe”, destacou Paulo Rogério, em sua fala de agradecimento ao receber o prêmio, chamado atenção para o fato de que as verbas publicitárias ainda estão concentradas nas mãos de poucas empresas.

(Vencedores baianos foram ao Rio de Janeiro receber a premiação. Da esq: Paulo Rogério, diretor executivo do Instituto Mídia Étnica, Cleidiana Ramos do jornal A Tarde e a publicitária Luciane Neves, também diretora do IME)

Novela - A Rede Globo foi consagrada e levou ao palco do Vivo Rio parte do elenco e autores da novela Lado a Lado. Estavam presentes Marcello Melo Jr, Zezeh Barbosa, Sheron Menezzes, Milton Gonçalves, João Ximenes Braga e Claudia Lage. Ao agradecer em nome dos colegas, Milton Gonçalves quebrou o protocolo e inflamou a plateia com questionamentos sobre o futuro da Comunidade Negra.

“Quem sabe um dia voltaremos a contar a história do negro, de sua contribuição para o salto qualitativo que o País deu nos últimos tempos, não numa novela, mas na vida real? Quem sabe não elegemos o nosso presidente negro? Só depende de nós”, disse Gonçalves, que convidou o público a repetir em tom alto a frase: “Eu sou brasileiro, eu sou negro e quero respeito”.

Artes - Entre poesias recitadas pelos apresentadores sobre a história da Pequena África, o Camélia seguiu homenageando grandes personalidades. Receberam o troféu da Liberdade o senador Paulo Renato Paim (PT/RS); a atriz Ruth de Souza (ambos representados por amigos); o reverendo Marcos Amaral, que agradeceu o reconhecimento, contando uma passagem bíblica com foco na igualdade e desejando um futuro melhor para o mundo; e Vó Maria, viúva do sambista Donga.

E foi Vó Maria quem ofereceu um dos momentos mais emocionantes da festa de premiação. Ao pisar no Vivo Rio com o pé direito, ela simplesmente disse: “Aqui estou com 102 anos para assistir a esta maravilha”. No palco para receber a homenagem, provou que ainda tem muita energia e talento musical, ao cantar o samba que consagrou Donga, “Pelo Telefone”.

O Camélia da Liberdade teve seu encerramento com o agradecimento do babalawo Ivanir dos Santos, que lembrou o próximo compromisso da instituição, na Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, que este ano acontecerá em 08 de setembro. Ele ressaltou que diversidade é fundamental, que as religiões devem se unir em prol das causas positivas que caminham contra o racismo e qualquer outra forma ou atitude de discriminação. O conselheiro estratégico da realizadora afirmou, também, que o Camélia não é mais do CEAP, mas de toda a Comunidade Negra. Ivanir falou sobre a tradição africana acerca da morte e se despediu prestando homenagens a personalidades que morreram recentemente, entre eles Zózimo Bulbul, o cantor Emílio Santiago, o sacerdote dele, Edison dos Santos (Edinho D´Oxossi) e a militante do Partido Comunista, Tereza Santos.

 

*Por Anderson Sotero
*Com informações da Ceap

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