Instituto Midia Étnica

Comunicação e Ação Afirmativa

Por uma visibilidade coerente - Matéria com o Mídia Étnica no jornal O Tempo (MG)


JULIA GUIMARÃES

Belo Horizonte- Além de trazer ao Brasil filmes de diretores africanos que dificilmente circulariam por aqui, o Imagem dos Povos realiza, na tarde de hoje, o seminário Mídia e Racismo, aberto ao público, que pretende levantar vários ângulos sobre a questão.


Com a presença dos palestrantes brasileiros Paulo Rogério Nunes (diretor executivo do Instituto Mídia Étnica) e Raquel Luciana de Souza (gerente de projetos da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros),
além do norte-americano Julius Coles, o debate pretende traçar um perfil de alternativas para o atual painel de exclusão e distorção da imagem do negro na mídia brasileira.


"Vamos discutir a criação de espaços alternativos que permitam uma maior e melhor representação negra na mídia. No quadro atual, ou ele aparece em números ínfimos, que não refletem a atual população, ou os
padrões de relações raciais surgem distorcidos, fruto de um investimento constante no mito da democracia racial", pontua Raquel, que atualmente é doutoranda em Antropologia na Universidade do Texas.


Entre as formas de superar a exclusão, a autora aponta a internet como meio potente para produção e veiculação de conteúdos que criem um olhar próprio sobre a representação do negro. "As novas mídias são a
grande esperança quanto à essa questão, pois permitem uma abordagem mais crítica sobre o assunto, o que historicamente tem sido barrado pelas elites que controlam as mídias tradicionais", opina.


E embora avalie que a mídia brasileira tem avançado na representação do negro nos últimos anos - em especial, no campo da publicidade -, o debatedor Paulo Rogério aponta que, em países como Canadá, Reino Unido e EUA este já é um valor consolidado. "Em primeiro lugar, o país precisa reconhecer o racismo embutido nas representações. E mirar-se em exemplos como o do Canadá, onde existem leis e uma agência reguladora nacional que visa democratizar a programação", defende.


Cinema e TV no país tendem a criar repetições
Para a pesquisadora Raquel de Souza, que participa do debate de hoje, uma das imagens mais corriqueiras da representação do negro na mídia é a que
coloca a mulher como objeto sexual e o homem com um perfil violento e
também erotizado.


Embora acredite que a televisão seja o setor que mais distorce a imagem do negro, ela também não poupa críticas ao cinema brasileiro. "O filme ‘Cidade de Deus’ é um exemplo de distorção, segundo relataram os próprios moradores do lugar, ao dizer que não se enxergam representados, pois a obra passa a imagem de que a única atividade da região é o tráfico, enquanto as estatísticas mostram que somente 2% dos moradores estão envolvidos com a atividade", explica.


A pesquisadora também lamenta a escassez de informação sobre a produção cinematográfica da África no país. "São filmes que apresentam uma perspectiva alternativa às imagens repetitivas que vemos no cinema
atual, cuja representação de mundo não consegue mais nos surpreender".
(JG)


O negro na mostra
Hoje:
* "Negropolitain", de Gary Pierre-Victor, às 16h, sala 1
* "Aliker", de Guy Deslauriers, às 14h, sala 1
"Nas Trilhas da Afro Diáspora" (Brasil/EUA), de Joel Zito Araújo, às 14h, sala 2

* Ambos da Martinica

AGENDA
O que: Seminário Mídia e Racismo - Imagem dos Povos
Quando: Hoje, das 15h às 18h30
Onde: Sala 2 do Usiminas Belas Artes (R. Gonçalves Dias, 1.581, Lourdes)
Quanto: Entrada franca

Exibições: 98

Comentar

Você precisa ser um membro de Instituto Midia Étnica para adicionar comentários!

Entrar em Instituto Midia Étnica

© 2017   Criado por ERIC ROBERT.   Ativado por

Relatar um incidente  |  Termos de serviço